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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Entrevista de vida a David Ferreira

David Ferreira e música são sinónimos. Depois de uma carreira de 29 anos na edição fonográfica – primeiro na Valentim de Carvalho, empresa fundada por um tio-avô, depois como rosto da EMI – apaixonou-se pela rádio, onde assina dois programas de autor – A contar e A cena do ódio – na Antena 1. O que começou por ser um projeto para uma dúzia de programas já vai na 233ª edição. Música portuguesa e cantores esquecidos, acompanhados sempre por histórias, a lembrar os dias da rádio.
Em pequeno, contava-lhe a mãe, sabia distinguir Ravel de Bartok aos primeiros acordes. Adolescente, sonhava-se o empresário dos Beatles responsável por um regresso lendário da banda; aos 20, vendia discos na loja da Valentim de Carvalho, na Avenida de Roma, em Lisboa, trocando o curso de História pelo prazer de apresentar obras-primas a clientes que ainda hoje o recordam. Filho de David Mourão-Ferreira, houve um tempo, breve, em que quis ser poeta e escritor, mas temeu a comparação a que não conseguiria escapar. E a política, que a dada altura pensou seguir, redundaria uma enorme desilusão. Venceu a música. Ao longo de quase três décadas na edição fonográfica, lidou com artistas maiores e menores e decidiu sobre carreiras – teve muitas na mão. No fim, saiu com a amargura duma batalha perdida contra o download ilegal e em confronto com os poderes absolutos que foram tomando conta das editoras. Na rádio, onde é livre, consome a semana a preparar os programas que assina. Começou por aí esta entrevista. Foi no Hotel da Estrela em Campo de Ourique, o bairro onde vive, lisboeta nascido no Hospital dos Empregados do Comércio, ao Caldas, há 60 anos.


(...) O radialista de hoje é sobretudo conhecido por ter dirigido, de 1983 a março de 2007 a EMI-Valentim de Carvalho e depois a EMI Portugal. O percurso e a história começam em 1978, quando assume com o primo Francisco Vasconcelos a parte editorial da empresa fundada por Valentim de Carvalho, tio avô-materno de ambos.

- Que episódios recorda desses primeiros tempos?

Tantos. Nesses anos, havia na Valentim a ideia de que a rádio não gostava de nós. Ou por embirração dos locutores ou porque tinham relações preferenciais com outras editoras. Lembro-me de que quando levei à rádio o primeiro single da Kate Bush, um disco de que eu gostava muito, o comentário de Jorge Pego, que eu não conhecia, foi este: «os ingleses gostam de cada merda!». Saí, é claro, de orelha murcha e a pensar que o melhor seria desistir daquele trabalho. De volta ao escritório, dizem-me que o Jorge tinha passado o disco várias vezes em menos de 2 horas.
Moral da história?  Um bom disco faz milagres – e até amizades que ainda hoje duram.

- Aos 24 anos, passou a lidar com alguns artistas que admirava e a quem, presumo, gostaria sobretudo de pedir um autógrafo. Lembra-se de algum caso?

Éramos realmente uns miúdos, eu e o meu primo Francisco. A quem, em ’79, o tio e patrão mandou tentar contratar, imagine-se, o Sérgio Godinho. Mais, de mãos a abanar, sem uma proposta que se visse. Mas, caramba, que alegria e vaidade almoçar com o Sérgio! Que, como esperado, recusou-se simpaticamente a assinar. Durante os anos que gravou para a Polygram não perdi um concerto dele no Coliseu. Em ‘89, finalmente, consegui contratá-lo e fui o seu editor até sair da EMI, em 2007. Sérgio Godinho é dos melhores escritores de canções do mundo.

- Miúdos que rapidamente passam a ter nas mãos as aspirações de muitos. Como lidou com esse poder?

 Poder é bom. Poder fazer o que achamos interessante. Poder transformar o sonho em projeto e poder passar do projeto à realidade. O verbo poder, quero eu dizer, é bom. O substantivo nem sempre. Se quem o exerce o entende como um fim, é uma lástima para os outros. E, mesmo a quem o detém o poder, impõe – ou quase impõe – rotinas chatas e muito tempo mal gasto.

- Em 1981, três anos depois, conquistam uma quota de mercado invejável.

Em 1981, temos Rui Veloso, UHF, Trovante, Lena d’Água, GNR. Lembro-me que no Natal desse ano tudo nos corria muito bem. Por exemplo: Patchouly, do Grupo de Baile. Sabendo que a letra não passaria na rádio – não era habitual um disco a falar em «pentelhos» – lembrei-me de fazer uma versão «censurada» com «pi» que acabaria por fazer esgotar a versão sem «censura». Depois, apareceu também nessa altura uma cantora nova chamada Manuela Moura Guedes que vendeu 30 mil discos. A isto somavam-se êxitos dos Police e dos Duran Duran. Estávamos mesmo em alta e naquela época fazer um bom Natal significava praticamente fazer um bom ano. Mas não acabou aqui: completamente fora das previsões, a Maria Armanda vence o concurso Sequim d’Ouro (Zecchino d’Oro). Como não estávamos preparados e uma fita podia ficar meses na alfândega, o nosso diretor comercial, Pedro Moreira, lembrou-se de comprar uma cassete pirata para copiar. Fomos portanto piratas dos piratas e vendemos 100 mil discos da Maria Armanda.

- Sobre os Police, um parêntesis: como foi viajar com a banda de autocarro, em ’80, até ao estádio do Restelo?

Andy Summers era o mais conversador, Stu Copeland estava calado e constipado e Sting, todo contente, brincava com uma navalha de ponta e mola que tinha conseguido comprar na Baixa; em Inglaterra seria impossível fazê-lo. O espetáculo, depois, foi inesquecível. Mas o melhor de tudo foi ver como Rui Veloso & a Banda Sonora fizeram uma primeira parte que o público adorou, sem aquela atitude de «p’ra português não é mau» mas com genuíno prazer. Muitos preconceitos morreram nessa noite.

- Os primeiros concertos de bandas portuguesas foram feitos a medo?

Confesso que em vários espectáculos entrei com medo de a sala não esgotar. Mas depois correu tudo bem: por exemplo, Trovante e GNR, primeiro na Aula Magna e depois no Coliseu, a via sacra nos anos ’80, deram espetáculos emocionantes; e muitas oportunidades para quem veio depois.

- Que lugar tem a Valentim de Carvalho na história da música portuguesa?

Miguel Esteves Cardoso, que foi nosso consultor depois de deixar a crítica de discos (em meados dos anos 1980) fez um dia um slogan sobre a Valentim que diz quase tudo: «a casa portuguesa da música». De facto, se olharmos para o último século, a Valentim deu abrigo a talentos e alimentou carreiras. E esse continua a ser o seu pedigree. O Chico (Francisco Vasconcelos), à beira dos 60 anos, continua a descobrir artistas novos – veja-se os casos recentes da Gisela João e do Salvador Sobral. A partir de certa altura, eu concentrei-me nas relações longas.

- Relações longas obrigam a paciência e a diplomacia?

Muita diplomacia. Uns mais fáceis do que outros, em todas as áreas. Adorava ouvir as críticas do Alexandre Soares, dos GNR, e do João Nobre, dos Da Weasel. De vez em quando, o (Rui) Reininho batia-me nos jornais. Mas nunca me apeteceu responder. Se o meu trabalho era fazer com que gostassem deles, como podia fazê-lo? E ainda por cima era fã.

- Fale-nos dos mais difíceis.

Os Madredeus, muitas vezes. O Pedro Ayres Magalhães é brilhante mas é também das pessoas mais teimosas que há e estávamos numa época de verdadeira luta pelo poder: editoras de um lado; artistas e empresários, do outro. Foi um processo muito duro, mas no final fizemos bem o nosso trabalho, eles e nós. Um dia, num momento mais duro, pensei escrever as minhas memórias de editor e chamar-lhes O Sino: alto está, alto mora, todos o veem, ninguém o adora.

- Nessas possíveis memórias, que constará sobre os Madredeus?

Um dia, uma colega que andava doente atrasou-se a processar os pagamentos aos Madredeus, os mais complexos, porque as receitas vinham de todo o mundo. Protestaram e quando percebi o que se passava desfiz-me em desculpas. O Pedro Ayres, visionário de trato muitas vezes áspero, tranquilizou-me: «estávamos preocupados, mas o problema não era contigo, sabemos que és dos nossos». A palmada nas costas soube bem.

- Contratos. Os artistas, quase todos, se queixam do mesmo: sempre foram mal pagos.

Vejo uma editora como um carrocel e, por vezes, quando um artista se lamenta do pouco que ganha não está a contar a história completa. Porque também é verdade que, antes de chegarem lá acima, quase todos fizeram perder dinheiro. Sempre disse que gastei com o Rui Veloso o que ganhei com o Marco Paulo, com os Madredeus o que ganhei com o Rui, com os Da Weasel o que ganhei com os Madredeus. E uma boa carreira discográfica aumenta muitas outras receitas em que a editora não era parte interessada, espetáculos em particular.

- O que define um bom editor?

Não é aquele que acerta sempre, mas o que tem um saldo interessante entre sucessos e falhanços. E, sobretudo, aquele que presta, continuadamente e sem sobressaltos de maior, o melhor serviço aos artistas.

- Enganou-se muitas vezes?

Com os Delfins, por exemplo. Nunca pensei que fossem tão longe e pudessem ser, durante dois anos, a banda que mais «vendeu» em Portugal. Gravaram connosco (EMI), mas quando chegou a altura nada fiz para os manter. Tenho, contudo, a sensação de que não saberia fazer aquele sucesso com eles. A Mísia é outro exemplo: contratei-a para fazer o primeiro disco, mas escolhi mal o colega que trabalharia com ela; nunca se entenderam, não culpo nenhum, foi um erro meu de casting.

- Antes do nosso tempo (meu e do Francisco), a Valentim não agarrou um artista genial que por lá passou para gravar umas poucas canções: o José Afonso. Nesses casos, resta a virtude de aprender com os erros. Tenho pena de não o ter conhecido. A ele e ao Adriano (Correia de Oliveira).

- Mais penas?

Pena de nunca ter trabalhado com o Fausto, com o Max e com a Hermínia (Silva), por exemplo.

- Rock português – que etiqueta chegou lá primeiro?

Não tendo sido os primeiros a gravar rock português (foi a Metro-som) fomos os primeiros a apostar a sério no rock português e em 1980 tínhamos dois grandes sucessos: Ar de Rock, de Rui Veloso, no verão, e o single Cavalos de Corrida, dos UHF, já no outono. Esse é um dos meus orgulhos. E mais: não só chegámos primeiro como ficámos. Em 82/85, durante a crise, fomos apanhar os Heróis do Mar, despedidos pela Polygram. Sorte: ficando com os Heróis do Mar, do Pedro Ayres Magalhães, ganhámos os Madredeus.

- Tem uma banda de rock favorita, portuguesa?

GNR, sem dúvida nenhuma. E no fado também não hesito: Amália e Camané.

- Qual é o lugar de António Variações?

Único: pelo talento e pela inovação. Julgo ter sido eu quem sugeriu o nome Variações a seguir a António, depois de ele me mostrar um cartão em que aparecia o nome do grupo, Variações, que de vez em quando o acompanhava. Ouvi o disco Estou Além/Povo que lavas no rio, na sala da alta fidelidade. Enviei-o logo ao Rock em Stock, na altura feito pela Ana Bola, que gostou muito. Passou-o na hora e foi um sucesso imediato. Fosse hoje e teríamos de marcar uma reunião com alguém que se julga muito importante e que poderia marcar ou não essa reunião. E ter medo de passar o que é diferente.

- Uma batalha sua, antiga: as playlists.

Há responsáveis por playlists que se consultam entre si, em vez de fazerem concorrência uns aos outros. Não arriscam porque têm medo de ser despedidos por quebras de audiência. Naquele tempo, a rádio passava o que era bom. O Variações é um caso espantoso de adesão, que foi do Rock em Stock ao António Sala.

- Contudo, esteve cinco anos na Valentim de Carvalho sem sair um disco.

Não tendo lidado com isso diretamente, sei que por vezes há que deixar as coisas amadurecer. O António precisou da geração seguinte, de ir para estúdio com o Ricardo Camacho, com os GNR ou com os Heróis do Mar. A propósito do António gostava de dizer algumas coisas.

- O que quiser.

Demorei muito tempo a perceber a gravidade do estado de saúde do António; depois, afogado em trabalho, adiei o dia em que o iria visitar; nunca o vi no hospital e ainda sinto o remorso. Disso e dos telefonemas que ficaram sem resposta do Carlos Paião – um escritor de canções muito dotado e uma pessoa muito generosa – e do Tony de Matos, um intérprete fantástico; ambos me ligaram dias antes de morrerem inesperadamente. Por último, tenho muita vergonha de, no Festival em que venceu Sobe Sobe Balão Sobe, ter pateado o Nóbrega e Sousa, o autor da música. Um compositor daqueles – Sol de Inverno, por exemplo – deve ser celebrado pelas grandes melodias que faz.

- O que lhe agrada em Tony de Matos?

 Levo-o a sério. Cantava bem as palavras, era musical, não imitava ninguém e não dava voltinhas inúteis que nos distraiam. Por isso levo-o a sério.

- Voltando às memórias de editor, que outras histórias lá caberiam?

A certa altura descobrimos um erro no contrato do Rui Veloso. Telefonei ao João Nabais, o seu advogado, que confirmou o erro e pediu que nós mesmos colocássemos um «não» no sítio relevante. O Rui assinou de imediato. Sucede que naquela altura, 1991, o Rui representava 5 por cento do valor total do mercado e o erro não corrigido teria valido, naquele tempo, uns dez mil contos a seu favor. Os meus colegas americanos disseram-me que na terra deles uma história dessas seria impossível.

- Como é que «sacam» o Camané?

Contratei o Camané a pedido – discreto que ela não precisava de mais – da Amália. «Aquele rapaz está no caminho certo», disse-me; e bastou. Fui contratá-lo com o João Teixeira (hoje diretor da Warner Music) ao Café Concerto da Comuna. Assustou-nos dizendo que havia um problema: «Eu só canto isto». «Chega, não precisamos de mais!», dissemos aliviados. De facto, o Camané queria explicar-nos que não era dado a malabarismos, a exibições gratuitas de capacidades vocais. E esse é «o caminho certo».

- Profissionalmente, conseguia uma abordagem racional ou tinha de gostar do trabalho dos artistas (e até dos próprios)?

Quis muitas vezes ser um profissional frio. Nunca consegui. Não me é fácil fazer um trabalho bem feito se não houver coração à mistura. Tenho a ilusão de que cabeça e coração são igualmente necessários e possíveis.
(...)

- A música chegou-lhe pelo pai ou pela mãe?

A minha mãe, que trabalhava na Valentim de Carvalho, levava-me muitas vezes para o trabalho. E eu ficava na loja da Rua Nova do Almada a ouvir discos. Contava ela que um dia, era ainda muito pequeno, pedi a uma empregada o Bolero de Ravel. Sem me prestar atenção, a senhora terá posto o primeiro disco de música clássica que encontrou ao que eu terei contraposto: «Isso não é Ravel, é Bela Bartok». Histórias de mãe! Foi a minha quem cedo me encheu a casa de discos – eu quis sempre ouvi-los a todos. Ou quase.

- Nunca tentou ser músico?

Tentei mas desisti depressa. Tinha 17 anos. Uma senhora que me ensinava piano disse-me a rir: «Nunca encontrei ninguém com tanta falta de jeito».

- Nesse idade ouvia seguramente Beatles.

Aos 17 anos o meu herói era Elton John. E Beatles, claro. Gostava tanto que a separação deles era assunto que me preocupava todos os dias. Sonhava com isso. Num dos sonhos, eu era o empresário que os reunia de novo. No fim do liceu, descobri Brel e Amália; aos 20 anos, Sinatra. Hoje, oiço coisas muito diversas. Mas não gosto de ouvir o que é postiço.

- Qual é a melhor canção dos Beatles?

 Não sei escolher. Gosto tanto das canções curtas, felizes e directas do primeiro filme, Hard Day’s Night, como do pesadelo elaborado do I Am the Walrus.

- Que vozes o comovem?

Brel é um dos meus heróis. Choro a ouvir Brel. Graças ao Luís Cília, conheci Léo Ferré, entrevistei-o um ou dois dias depois dum espetáculo no Coliseu, onde tive muitas vezes os olhos húmidos. Perguntei-lhe por que mudara a letra duma canção no espetáculo. Fez um ar zangado. Disse-me que não mudara nada. Insisti, assustado com a reação dele: «No disco ouve-se ”revolução” e no espetáculo cantou “insurreição”. Talvez agradecido por ter um fã tão atento, respondeu-me com o sorriso mais simpático que vi num artista: “A revolução não serve para nada, dá-se uma volta inteira e volta-se ao ponto de partida. A insurreição é o que é preciso!”»

(...)

- Começa por trabalhar numa loja de discos da Valentim.

Vou trabalhar aos 18 para o balcão da loja da Avenida de Roma, onde fui muito feliz. Para quem, como eu, tem uma enorme necessidade de empatia, o balcão é um sítio bestial. Era uma loja muito eficiente e divertida, aprendi imenso. Apresentei muitos músicos a muitos clientes e o contrário também aconteceu.

- Sai da EMI em 2007. Porquê e com que amarguras?

Saí da edição fonográfica com a amargura duma batalha perdida contra o download ilegal; do resultado da guerra tratarão outros e torço sempre pelos autores, artistas e editores. E não me choca, em teoria, uma sociedade onde a propriedade não exista; agora os discos e os o livros e os jornais e os filmes serem de todos, enquanto tudo o resto – incluindo a educação e os transportes e a saúde – é dos bancos e de meia dúzia de empresas, custa a aceitar.

- Diz em várias entrevistas que o incomoda – e combate – o poder absoluto. Na EMI, trabalhou com ingleses e americanos. Encontrou esse tipo de poder?

Na EMI, durante muito tempo, conheci uma tradição inglesa de poderes limitados e que nos ensinava a respeitar artistas, clientes e empregados. Mas lidei também com empresas americanas antipáticas (a Disney, por exemplo), com tiques imperiais. E, a partir de 2001, vi na própria sede da EMI instalar-se um estalinismo grosseiro: o CEO deslocava-se num Roll’s Royce com a matrícula EMI 1, dá para acreditar?!

- Quis ser editor independente. Não conseguiu.

Tentei durante uns três anos, mas burro velho não aprendeu essa língua, azar o meu; aprendi, sim, a confrontar-me com a arrogância duma certa distribuição, que se afirma cultural; encontrei portas fechadas e sumidades que sabem usar a crise a seu proveito; cheguei a sentir-me um «has been» e paguei a fatura de teimosamente desalinhar.

- Quem lhe restou, nesses dias?

Numa entrevista de rádio tive um elogio muito generoso do José Nuno Martins; o Rui Pego e o Luís Marinho foram conversando comigo nos tempos difíceis; e o Rui convidou-me para fazer um programa na Antena 1. Hoje faço três.

- Afirmou há uns anos que não sabia se a música era profissão ou vício. Sabe agora?

Ainda não. Talvez seja as duas coisas. Um dos melhores chefes que eu tive na EMI dizia que a maioria das pessoas tem trabalhos chatos para ganhar a vida e poder comprar os brinquedos de que gosta, sejam relógios, carros, roupa cara. Enquanto que alguns de nós, eu por exemplo, trabalhavam com os próprios brinquedos.

Por: Alexandra Tavares-Teles  24/04/2016 - 09:22 • Fotografia Sara Matos/Global Imagens

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