VENDAS DE DISCOS EM PORTUGAL: GALARDÕES, DISCOS MAIS VENDIDOS, ETC...



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Tops - 1981

Chegar ao TOP pelas traseiras

Referir os TOP é o mesmo que tocar numa das questões mais sensíveis à maquineta comercial de venda de discos. Com maior ou menor influência sobre as pessoas, os TOP não deixam, isso não, de ter um papel importante na promoção de bandas que sem suportes desse tipo provavelmente nunca passariam da obscuridade.

Damos o exemplo de um TOP de uma revista, predominantemente musical, editada em Portugal, que colocou em primeiro lugar um grupo português por um processo curiosíssimo que descrevemos cronologicamente: o disco do grupo é lançado a uma quinta-feira; a sondagem para o TOP é feita sexta-feira nas discotecas estando sábado a esmagadora maioria das casas de venda de discos encerradas; segunda-feira a referida publicação entra na tipografia; terça-feira, porém, o grupo de que nos dispensamos de dizer o nome aparece em primeiríssimo lugar na classificação!

A pergunta é tão simples como isto: como é que um disco se pode ter vendido num espaço de meia dúzia de horas em quantidade suficiente para ascender meteoricamente, e logo, à escala de um distinto primeiro lugar?

Mas, tope-se o contraste: o «disco de ouro» dos UHF, «À Flor da Pele», esteve apenas uma única vez em primeiro lugar no TOP. Mais flagrante ainda: há discos que à saída da fábrica trazem já colado um selo correspondente ao primeiro lugar no «TOP Rock em Stock».

Aqui vamos mesmo aos nomes: independentemente do seu valor, o facto é que quer os discos dos Go Gral Blues Band e dos Roxigénio têm sido aquilo que se pode classificar frontalmente como um falhanço comercial. No entanto, nem por isso deixaram de se eternizar nas primeiríssimas posíções dos TOP.

Eduardo Miragaia,
Diário de Lisboa, 02/01/1982

O Top Rock em Stock era apenas de preferências. Nesta altura não havia top oficial de vendas mas havia várias publicações que publicavam tabelas com os discos mais vendidos.

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