VENDAS DE DISCOS EM PORTUGAL: GALARDÕES, DISCOS MAIS VENDIDOS, ETC...



quinta-feira, 9 de março de 2017

Jorge Abreu - arquivo RTP

1979-02-02


Lisboa, entrevista com Jorge Abreu da Associação de Produtores Fonográficos Portugueses, sobre a necessidade de legislação para proteção eficaz dos direitos dos artistas, intérpretes e compositores, na problemática das gravações pirata de cassetes, discos e fitas magnéticas.

Nome do Programa: NOTICIÁRIO NACIONAL FEVEREIRO 1979
Entrevista intercalada com imagens de vendedores ambulantes de discos e cassetes pirata.




https://arquivos.rtp.pt/conteudos/entrevista-com-jorge-abreu/


O advogado Jorge Abreu era o secretário geral do Grupo Português de Produtores de Fonogramas e Videogramas

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

António Duarte


"Na voz da juventude Mário Soares está no Top" / Participação de António Duarte na campanha de 1986

C. Doc. 25Abril

Anda um danado de um repórter com a ideia de que publicou histórias e reportagens importantes, ou de que tem um curriculum irrepreeensível (as reportagens da ETA foram publicadas na revista espanhola "Interviu", fui director dos canais português e chinês da Rádio Macau e correspondente da BBC World Radio, escrevi no maior jornal da Ásia, o "South China Morning Post"...), mas o facto é que está condenado a ser relembrado e discutido por um livro antigo que escreveu num mês, confortavelmente sentado à secretária, na segurança do home sweet home.

Não pode haver maior ironia na carreira de um repórter que se preze.

António Duarte em blog Guedelhudos (2008)

António Duarte foi o autor do livro "A Arte Eléctrica De Ser Português - 25 Anos de Rock'n Portugal". Tinha colaborado em várias publicações nacionais e em programas da Renascença. Foi o primeiro apresentador do programa "Top Disco". Com a preparação do programa sobre a história da música portuguesa acaba por ser substituído por Marcos André. Participou no concurso do RRV com o projecto D.W.ART. Depois esteve vários anos em Macau.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Novelas garantem sucesso da música portuguesa

Novelas garantem sucesso da música portuguesa
Lucros crescem com a TV






As estações televisivas, através da ficção nacional, substituem as rádios na divulgação da música portuguesa. O fenómeno é recente e agrada aos dois lados do negócio.



O que têm Paulo Gonzo, Olavo Bilac, João Pedro Pais e Miguel Ângelo em comum? Muito. Para além de todos serem músicos portugueses e cantarem em português, são autores de canções que deram nome a algumas novelas nos últimos anos. Mas será que essa projecção dada pela ficção é vantajosa para as suas carreiras enquanto músicos? A resposta é, definitivamente, sim.


Da mesma forma, os produtores das novelas aproveitam para criar novas bandas que, impulsionadas pelas grandes audiências, surgem do nada e, num ápice, vendem mais de 150 mil discos.
Com o tema ‘Jardins Proibidos’, na banda sonora da novela com o mesmo nome, Paulo Gonzo inaugurou o ‘intercâmbio’ entre a televisão e a música.



Estávamos em 2000. A canção, que já tinha alguns anos, revitalizou a carreira do músico, cuja voz, entretanto, tornou-se presença habitual na ficção televisiva.



Seguiram-se ‘Dei-te Quase Tudo’ e ‘Sei-te de Cor’, num processo que Paulo Gonzo garante ter-lhe trazido algumas vantagens. “Só tenho a agradecer às novelas, apesar da canção ‘Jardins Proibidos’ ter tido muito sucesso independentemente disso”, garantiu o músico.



Na verdade, o álbum, editado em 97 vendeu 240 mil unidades (o que, feitas as contas ao preço de venda de CD, corresponde a um valor bruto de 3 600 mil euros), número que não sofreu alterações com a ficção da TVI.



O mesmo não se pode dizer do mais recente ‘Dei-te Quase Tudo’, cujas vendas duplicaram.



NOVELAS AJUDAM A VENDER DISCOS



Miguel Ângelo, vocalista dos Delfins, defende que o sucesso não é certo só porque se criou uma música que veio a dar nome a uma novela: “Depende dos casos.”


O músico, à semelhança de muitos outros, critica as rádios por não darem projecção às bandas nacionais: “Em Portugal a novela tornou-se uma ajuda preciosa para os músicos, especialmente para novos intérpretes que não encontram espaço de promoção nas rádios.”


Miguel Ângelo considera que “as novelas se tornaram num veículo de publicidade que ajuda a vender discos.” Recorde-se que os Delfins foram convidados, em 2003, a ceder a canção ‘Saber Amar’ para o genérico da novela homónima da TVI. “



’Saber Amar’ cativou um público novo que não conhecia a banda. Ainda agora nos concertos verifico que houve uma renovação do público desde então.

Vendemos perto de 300 mil discos [o que corresponde a um volume de vendas no valor de 4,5 milhões de euros].



Julgo que ainda é um recorde em Portugal, mas isso foi ainda antes do domínio da internet e do mp3”, explica.



UM PROCESSO INTERESSANTE



Na mesma linha de pensamento encontra-se Tiago Bettencourt, vocalista dos Toranja, banda que já teve canções como ‘Carta’ e ‘Laços’ inseridos em telenovelas e, mais recentemente, ‘Quebrámos os Dois’ (‘Morangos com Açúcar III’). “É uma forma de divulgação de música relativamente recente no nosso País, mas é muito eficaz.



Além disso, qualquer músico em Portugal tem dificuldade em chegar à televisão, devido à escassez de conteúdos musicais na programação. Daí continuarmos a usá-la com muito prazer”, disse o cantor/compositor.



Apesar de todas as vantagens, a decisão de ‘emprestar’ os temas à ficção nacional não é, porém, tomada de ânimo leve. “Antes de cedermos o tema, temos acesso ao enredo da novela, às situações em que vai ser usado e também dados sobre o grau de assiduidade com que será passado”, explica Tiago Bettencourt.



O resultado final acaba por ser um “processo interessante” até para os próprios músicos: “Ao serem transportadas para outro universo, as canções acabam por ganhar uma nova ‘história’, da mesma forma que acontece nos concertos.”



Satisfeito com a relação estabelecida com as novelas está também António Manuel Ribeiro, vocalista dos UHF: “É um fenómeno relativamente novo para nós mas está a trazer resultados muito positivos para a música portuguesa.



Tivemos a primeira experiência o ano passado com o tema ‘Matas-me Com o Teu Olhar’ [‘Ninguém Como Tu’], que atingiu índices de popularidade ao nível dos melhores da nossa carreira”, referiu o cantor, lamentando que “as rádios teimem em não passar música nacional.” “Há duas semanas estreou outra novela, ‘Fala-me de Amor’, com um tema nosso e logo no primeiro dia comecei a receber mensagens, o que é ilustrativo do poder de penetração que a televisão proporciona à música”, acrescentou.



MÚSICA E FICÇÃO



Pronunciando-se sobre a pertinência da vertente musical na ficção, Rui Vilhena, autor de ‘Ninguém
como Tu’ sublinha: “A música é tão importante como a actuação dos actores, os diálogos, a luz.
É a música que faz o clima todo da cena.” Maria João Mira, guionista e uma das autoras de ‘Fala-me de Amor’, em exibição na TVI, partilha desta opinião quando afirma que, “do ponto de vista do público, a música tem a maior importância”, porque não só “ajuda a vender a estória da novela” como “contribui para a divulgação da música portuguesa.”



Quando foi criada a primeira banda de ‘Morangos Com Açúcar”, o projecto, então experimental, tornou-se “um enorme sucesso”, explica Maria João Mira, na época coordenadora da Casa da Criação, na NBP.



Rui Vilhena acrescenta que o fenómeno já sucedera nos Estados Unidos e no Brasil. “Era natural que, anos depois, chegasse a Portugal”, afirma. Outro conhecido guionista, Manuel Arouca, diz-se “satisfeito com 80% das opções musicais” feitas para as suas novelas. E recorda ‘Filha do Mar’. “As músicas foram originais feitos para a estória. A Dina cantava o tema principal com letra de Ana Zanatti. E João Pedro Pais já cantava ‘Ninguém como Tu’.



O José Cid também tinha uma canção. ‘Filha do Mar’ tinha excelentes composições.” Mais tarde, noutra novela de Manuel Arouca, Paulo Gonzo interpretaria ‘Jardins Proibidos’ o tema principal que deu nome à ficção. “A canção já era um êxito e a novela aproveitou-o.



Este casamento foi bom para o intérprete e para a novela”, recorda o guionista.



FENÓMENO METEOROLÓGICO



Fenómeno recente são as bandas que ‘saem’ das novelas. Aí, os D’ZRT são o expoente máximo da conjugação entre um projecto musical e uma série juvenil de sucesso.



O resultado é a venda de centenas de milhares de discos e centenas de concertos com lotação esgotada. Nuno Carvalho, agente dos D’ZRT, costuma comparar o fenómeno dos D’ZRT a um “fenómeno meteorológico.” “Não é uma baixa pressão ou um vento forte que provoca um furacão. É uma conjugação de factores. Acho que foi fundamental para o sucesso da banda o cuidado de fazer corresponder à acção da novela o que estava a acontecer na vida real dos D’ZRT. Eles lançaram um disco e isso também aconteceu na novela. O mesmo se passava quando eles davam um concerto. No entanto, considero que a qualidade da produção musical e o empenho deles também foi fundamental para o arranque”, reitera Nuno Carvalho.



Numa altura em que uma nova banda está a ser preparada para surgir em ’Morangos Com Açúcar’, o empresário afirma que “os D’ZRT não morreram na telenovela”. “Há dois elementos que ainda se mantêm no elenco e a banda vai voltar de tempos a tempos. Neste momento estão a gravar um novo disco que deverá sair na Páscoa. Nessa altura devem voltar a aparecer em ‘Morangos Com Açúcar”, avança Nuno Carvalho.



VIVIANE (ENTRE ASPAS)



Viviane também participou nas gravações da novela ‘Mundo Meu’.
Para lá da participação em ‘Mundo Meu’, Viviane cedeu a música ‘Uma Flor’ para as promoções da nova novela da SIC, ‘Floribella’.
Apesar de nunca ter tido uma música no genérico de uma novela, reconhece a vantagem de ‘estar’ numa. “É óbvio que as novelas ajudam à promoção pois entram na casa das pessoas. Valem a pena para promover as músicas, uma vez que as rádios não o fazem”, defende.



SANTOS E PECADORES



‘Fala-me de Amor’ é um original dos santos e Pecadores.
Olavo Bilac, a voz de ‘Fala-me de Amor’, resume a relação entre as partes de uma forma simples: “As músicas ajudam as novelas e as novelas ajudam as músicas.”


Sobre as vendas, o vocalista dos ‘Santos e Pecadores’ afirma que ainda não pode aferir resultados. “Por enquanto ainda é cedo para ver se a novela ajudou a vender discos. Começou há pouco tempo e o CD foi lançado há menos de um mês”, diz.



A BANDA DE 'FLORIBELLA'



Luciana Abreu é ‘Flor’, a vocalista da banda da nova telenovela da SIC.
Na nova novela juvenil da SIC, a estrear em breve, irá surgir também uma banda (que interpreta o tema do genérico). A produção defende que a existência da banda faz parte integrante do enredo e que o nome só será conhecido quando a novela já estiver no ar. Luciana Abreu, finalista do concurso ‘Ídolos’, e Rodrigo Saraiva, o ‘Rafa’ de ‘Morangos com Açúcar’, fazem parte do grupo.



"CONCORRÊNCIA DESLEAL"



 (Tozé Brito, Presidente da Associação Fonográfica Portuguesa, 53 anos)

- Pôr uma canção numa novela é garantia de sucesso?
- Em alguns casos sim, noutros nem por isso. As novelas potenciam as vendas quando as canções têm todos os ingredientes necessários para agradar ao público das novelas.
- Lembra-se de algum caso?
- O ‘Papel Principal’ da Adelaide Ferreira. Nos anos 80, quando a canção foi escrita, vendeu 20 mil exemplares. Quase 20 anos depois, foi recuperada com resultados extraordinários: vendeu mais dez mil discos.
- Há casos bem diferentes, nomeadamente as bandas que ‘nascem’ nas novelas...
- O caso dos D’ZRT é mesmo muito diferente, porque as pessoas têm a oportunidade, através da telenovela, de acompanhar todo o processo: eles ensaiam no ecrã, tocam e até anunciam os concertos dentro do contexto da ficção. É uma operação de marketing muito bem montada mas, com todo o respeito pelos D’ZRT, nem sempre me parece uma concorrência leal. Isto porque estamos a falar de um grupo como a Media Capital, que tem uma série de rádios e uma televisão na mão...



OS RECORDISTAS DE VENDAS



D’ZRT - ‘MORANGOS COM AÇÚCAR'

Para além do primeiro álbum, os D’ZRT venderam ainda 50 mil unidades do disco ao vivo e deram 100 concertos. Sempre com lotação esgotada.

- Share médio: 35,2%
- Discos vendidos: 130 mil discos



PAULO GONZO - 'DEI-TE QUASE TUDO'

Em 1997, ‘Dei-te Quase Tudo’ conseguiu a proeza de ser sextupla platina. Em 2005, o tema foi regravado de propósito para a novela em exibição na TVI.

- Share: 40,9% (no dia da estreia)
- Discos vendidos: 240 mil discos



DELFINS - ‘SABER AMAR’

‘Saber Amar’ é um tema da banda liderada por Miguel Ângelo e deu nome a uma novela. Versão de um original dos ‘Páralamas do Sucesso’, foi gravado no Rio de Janeiro em 1996 e editado no mesmo ano. A telenovela da TVI só surgiu em 2003, mas ainda ajudou a banda de Cascais a atingir um recorde de discos vendidos que se mantém imbatível a nível nacional.

- Share médio: 40,9%
- Discos vendidos: 300 mil discos



Vanessa Fidalgo, João C. Rodrigues, Eugénia Ribeiro , Correio da Manhã, 17/03/2006

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Nel Monteiro

https://books.google.pt/books?id=JEAIAQAAMAAJ


SPA - Quantos discos vende por ano?


NM - Tenho de lhe explicar que a minha editora não é uma multinacional. É mais modesta. O que significa que vende os meus trabalhos a um preço mais baixo, para fazer face à pirataria. Razão pelo qual só quando vendemos quatro cassetes facturamos o equivalente a um disco normal. Em casos normais, a venda de 20 mil discos vale um disco de ouro. No meu caso, tenho de vender 80 mil unidades.  Ora, se eu tenho discos de ouro é porque vendi muito, muito mesmo. Mas eu tenho trabalhos que venderam muito mais do que isso. O «Retrato sagrado» já vendeu para lá de um milhão, e o mesmo aconteceu com o «Azar na praia». Em oito anos de carreira, tenho quatro discos de ouro e dois de platina. Todos os outros alcançaram disco de prata. Só com o «Retrato sagrado» ganho um disco de ouro todos os anos... Para não falar do «Azar na praia», que é gravado em todo o mundo por centenas de grupos.


Autores: boletim da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais (1993)


Tudo começou em 1984. Desde essa data  até aos dias de hoje NEL MONTEIRO já vendeu mais de 5 milhões de discos e cassetes. NEL MONTEIRO é, certamente, um dos grandes ícones da música popular portuguesa...


Dedicado de alma e coração à música correndo o mundo de lés a lés Nel Monteiro já vai a caminho de dezanove anos de carreira cheios de prazer e alegria cantando temas bem populares com muito sentimento e amor que já lhe deram 15 DISCOS DE PRATA, 10 DISCOS DE OURO e 5 DE PLATINA.


Site Oficial, 2004-2005


Um dos mais populares cantores portugueses. Com mais de 15 milhões de cópias vendidas em  20 anos de carreira. Autor de grandes sucessos,  tais como: "Azar na praia", "Alô, alô, Maria Antónia", "Retrato sagrado ", etc...


Site editora MTM-Discodouro


Artista de música popular Portuguesa já com 25 anos de carreira artística sendo interprete, compositor e autor de alguns dos maiores sucessos da música popular nacional, tais como "Azar na praia" e "Retrato sagrado". É considerado pelos seus fãs e simpatizantes como o rei das festas e arraiais. Já com mais de 15 discos de Prata, 10 discos de Ouro e 5 discos de Platina, Nel Monteiro leva a nossa música a todos os locais do mundo onde existam Portugueses.

A&E, 2010


Nel Monteiro mudou da Edisco para a multinacional Sony Music em 1993. Na Sony lança os álbuns "Bronca na discoteca", "Esta miúda (dá-me cabo da cabeça)"e "Bife à portuguesa". Depois criou a sua própria editora.

domingo, 15 de janeiro de 2017

As jóias da música em 1986



Há 20 anos chegava-se ao disco de Platina por 60 mil cópias vendidas, ao Ouro por 30 mil e à Prata por 15 mil. Tempos houve em que os discos, realmente, vendiam. E as vendas eram marcadas com galardões: Prata, Ouro e Platina. Nessa altura, chegava-se ao disco de Platina por 60 mil cópias vendidas, ao Ouro por 30 mil e à Prata por 15 mil.



Vinte anos depois, a marca de disco de Prata desapareceu – e hoje bastam 20 mil exemplares vendidos para se receber a distinção máxima de Platina. Em 1986, em Portugal, foram estas as mais preciosas jóias musicais.



«Catorze intérpretes portugueses ganharam em 1986 discos de Platina, Ouro e Prata pelas vendas dos seus discos.



Com discos de platina foram galardoadas as colectâneas de Amália Rodrigues e Frei Hermano da Câmara.



Discos de Ouro foram para Nel Monteiro («Azar na Praia»), José Calvário («Saudades Vol.2») e Mini Stars («Mini Stars»).



Discos de Prata para Zeca Afonso («Galinhas do Mato»), Queijinhos Frescos («Batem Corações»), Fausto («O Despertar do Alquimista»), Marco Paulo («Sedução»), Trovante («Sepes»), Nuno da Câmara Pereira («Mar Português»), Avô Cantigas («Histórias do Corpo Humano») e Rui Veloso («Rui Veloso») (...) »



in BLITZ nº115

Blitz, Segunda, 15 de Janeiro de 2007